segunda-feira, 5 de julho de 2010

Sozinha e Fabulosa

Era sábado. Minhas amigas haviam sumido. Parece que tinham sacado que eu queria sair para 'o crime' aquela noite e a forma de me reprimirem foi marcando programas nada, bem, digamos, inspirados. Débora estava longe. Sophia resolveu sair com o ex namorado para uma despedida (pelas minhas contas elas já estava na 14ª despedida). Érica tinha ido para o interior. Algumas outras que nem merecem ser citadas me ignoravam apenas pelo fato de não querer competir na hora do crime.

Foi aí que eu pensei: 'Porque não sair sozinha?' Existem dias em que as pessoas só servem para fazer você não chegar sozinha na balada. Você só ira chegar com elas, pq depois você quer mais é que elas SUMAM para que você possa paquerar aquele cara que não sabe se olha para você ou para sua amiga.
Sempre quis experimentar então uma balada sozinha. Chegar sozinha, criar amigas no banheiro. Tenho uma amiga que foi sozinha, fez amigas no banheiro e até é madrinha do casamento de uma delas. Então era a minha vez.
Escolhi uma balada nem tão longe de casa. Se me batesse aquela deprê eu me enfiaria num táxi e em menos de cinco minutos já estaria escondida embaixo das cobertas. Claro, uma balada que ofereça a opção: 'Open Bar' era fundamental aquela noite. Afinal, caipirinhas seriam minha única companhia para o 'crime' (ou não...)
Tudo pronto. Como diriam 'Eu estava vestida para matar'.
Cheguei e fingi um pouco falar no celular só para não parecer tão perdida.
Logo entrei e já fui correndo pro banheiro. Dei aquela conferida no visual e dá-lhe a primeira caipirinha de saquê. A segunda já era de cachaça, para acelerar o movimento.
Funcionou e logo estava eu ali perto da pista. Depois dentro da pista. No meio da pista. Ganhava movimentos a cada caipirinha que eu bebia.
Movimentos ousados que chamaram a atenção de um Jornalista. Eu não costumo me envolver com jornalistas. E pelo visto nem ele se envolvia com uma Relações Públicas. Dizia que achava todas chatas e que no trabalho dele havia várias, mas que ele não sentia tesão por nenhuma.
Eu não estava ali para aquele papo chato de 'comunicólogos' e logo já soltei: 'Não sente tesão por nenhuma? Isso é pq eu não trabalho com você'. Ele deu aquele sorrisinho e era a deixa para atacar.
Eu definitivamente não fico com jornalistas e aquele ali não abria a boca nem para beijar. Era hora de usar a boa tática que aprendi com Carrie e Miranda - 'Querido, adorei te conhecer, mas estou indo embora. Larguei meu gato sozinho em casa e preciso alimentá-lo'.
Pronto, me livrei do jornalista. Ele foi apenas o primeiro daquela noite que deveria acabar na cama, minha ou dele.
Logo já estava eu do outro lado da pista. Foi quando avistei uma barba me olhando. Já imaginei ela passeando por lugares, bem.. lugares im próprios. Ele me fez um sinal 'Quero te conhecer'. Eu dei aquele sorrisinho de moça pura e fingi que não estava entendendo nada. (os homens são idiotas e adoram isso).
Se apresentou. Eu nem lembro direito do nome, apenas guardei duas palavras: 'Finanças' e 'Alemanha'. Era o que bastava para já sorrir toda criminosa. Depois descobri que Finanças se encaixava na parte 'Sou gerente de finanças' e Alemanha na parte 'Passo férias sempre na Alemanha'.
Fiz logo questão de me certificar que o 'Finanças Alemanha' tinha carro e já estava decidida a minha carona de volta pra casa. Dei uma apimentada na relação e na hora dos beijos deixei ele tocar nos meus peitos. Ele começou a abrir minha blusa e quando eu percebi (aliás, para ele eu ainda nem percebi). Ele estava com as mãos lá. E eu ainda com cara de 'desentendida'.
Ele queria me levar para casa dele, mas depois de alguns copos de caipirinha eu cheguei a conclusão de que era melhor enrola-lo e apenas aceitar a carona para a MINHA casa.

Quando eu cheguei em casa disse que minha amiga estava dormindo e que eu não poderia chegar com um outro homem assim.

Não precisava de homens aquele dia. Eu já tinha garantido meu sucesso ao saber que mesmo sem minhas amigas na balada eu consigo sair e ser Sozinha e Fabulosa.

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