
Resolvi, ou melhor, minha mãe resolveu que eu deveria começar a fazer terapia com 17 anos. Eu sempre fui muito educada, respeitava meus pais, tirava boas notas, me alimentava direitinho... enfim, alguma hora eu tinha que resolver ser 'rebelde' e foi com 17 anos.
A minha rebeldia começou quando a minha mãe leu uma conversa minha no MSN com uma amiga e eu dizia: 'queria muito transar com ele'. Aquilo era um absurdo para minha mãe - 'Onde já se viu falar nessas coisas pela internet? Onde qualquer pessoa pode entrar no computador e ler o que você escreve?' (Isso na cabeça da minha mãe que não entendia o que era MSN, e muito menos que ninguem entra no computador).
Minha primeira terapeuta era uma amiga de infância da minha mãe. Eu não lembro qual era a linha que ela seguia, mas devia ser algo bem bravo, tipo a linha da esquerda, de exu. Ela queria ser minha melhor amiga e eu não queria ser a melhor amiga dela. Depois de algumas sessões eu percebi que ela sempre chorava no final. Eu não sabia ao certo se eu tinha falado algo triste, mas depois descobri que ela chorava pensando: 'Coitada da mãe dessa menina'. Eu desisti dela.
Achei que talvez um psicologo homem pudesse ser menos emotivo. Foi quando eu comecei a terapia com um cara que achava que todos os problemas da minha vida, quer dizer, do universo, se concentravam ao redor da minha mãe. Está menstruada? culpa da sua mãe. Acordou de TPM? culpa da sua mãe. Quer transar? culpa da sua mãe. Toma coca-cola todos os dias? culpa da sua mãe. Eu também desisti dele.
Me mudei para São Paulo. Na minha cabeça todos os terapeutas da capital deveriam ser sensacionais. (só na minha cabeça). Foi quando eu conheci a pessoa mais louca e com mais problemas psicologicos do mundo, a Soraia. Ela conseguia me deixar mais louca em suas terapias. Eu não aguentava mais. Até que resolvi entrar no joguinho dela. Cheguei um dia e falei: 'Soraia, eu estou ouvindo vozes, vultos, que querem me tirar do meu corpo?'. Aquilo foi um prato cheio para aquela louca. Até o momento em que eu disse que aqueles vultos estavam dentro da sala do consultório dela. Foi ela que desistiu de mim.
Até que eu conheci a Margarete. Ela me conquistou logo de cara porque ela tinha um divã de onça. Meu Deus, o que era aquele divã. E ela garantiu o meu amor eterno quando me perguntou: 'Você está aqui por você ou por sua mãe? Porque se a sua mãe te obrigou pode ir embora'.
Margarete era realmente sensacional. Eu sempre fazia as coisas que Margarete me orientava. Afinal, ela era casada com um médico lindo, lindo, lindo. Tinha duas filhas lindas, lindas, lindas. Tinha um cabelo maravilhoso. Uma cara de safada que me dava inveja. Era óbvio que Margarete era um exemplo de mulher a ser seguida. Foi ai que eu me encontrei. Não vivo mais sem a Margarete.
Não que eu tenha deixado de ter vontade de transar com aquele menino quando eu tinha 17 anos, mas é que AGORA EU TENHO VONTADE E FAÇO!
Obrigado Margarete.
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